Uma catarata de sangue
chove sobre meus olhos.
Tuesday, November 24, 2009
Thursday, November 05, 2009
A longa jornada noite adentro
Estou num daqueles dias inestimáveis,
nos quais posso pedir em namoro as nuvens.
nos quais posso pedir em namoro as nuvens.
A vida como ela é
Eu se pudesse continuava a escrever com o tremoço em cima do u.
Mas este desejo, como outros que eu tenho,
jamais serão realizados, e nem reconhecidos.
A vida é que nem um zíper na praça do Belenzinho.
Mas este desejo, como outros que eu tenho,
jamais serão realizados, e nem reconhecidos.
A vida é que nem um zíper na praça do Belenzinho.
Tuesday, November 03, 2009
Norma Desmond
Dissimulada, e nem oblíqua
(privilégio de mulheres maduras).
Feito placa de estrada na neblina:
se está lá, nada de sinal carece,
e se já está, acontece onde sempre esteve.
(privilégio de mulheres maduras).
Feito placa de estrada na neblina:
se está lá, nada de sinal carece,
e se já está, acontece onde sempre esteve.
Tuesday, August 11, 2009
Para Paul Verlaine, vivo fosse
Hoje me parece que foi você quem deu ouvido
a meus delírios desvairados.
E que entre trema e trena
pontuou o inusitado
e mediu o desmedido.
(Neste botequim onde até o guardanapo é barato
registro estas histórias
que o coração me diz,
meus torpedos da lata aquém do mundo.
E é tão barata a filosofia que ela só nestes balcões ocorre,
e no boteco é onde sempre de verdade se morre.)
a meus delírios desvairados.
E que entre trema e trena
pontuou o inusitado
e mediu o desmedido.
(Neste botequim onde até o guardanapo é barato
registro estas histórias
que o coração me diz,
meus torpedos da lata aquém do mundo.
E é tão barata a filosofia que ela só nestes balcões ocorre,
e no boteco é onde sempre de verdade se morre.)
Monday, June 08, 2009
minha alma
minha alma anda turva
como a água a entupir minhas vias
respiratórias.
lágrimas sem filtro,
trilhas desandadas,
parece que tudo vai dar numa cachoeira de abandono.
(numa final inédita de meu campeonato
eu torço para qualquer time que ganhe,
desde que haja partida.)
fico pensando se é bom escrever este poema.
como a água a entupir minhas vias
respiratórias.
lágrimas sem filtro,
trilhas desandadas,
parece que tudo vai dar numa cachoeira de abandono.
(numa final inédita de meu campeonato
eu torço para qualquer time que ganhe,
desde que haja partida.)
fico pensando se é bom escrever este poema.
Friday, January 30, 2009
Para Olívia
Por minha filha estarei em estado
de eterna vigília.
Por ela, sempre, meu coração
vibrará em cada corda que ela tocar.
de eterna vigília.
Por ela, sempre, meu coração
vibrará em cada corda que ela tocar.
Sunday, December 21, 2008
A Tempestade
Primeiro de novembro de 1611.
Somos feitos da mesma substância
de que são feitos os sonhos,
a metamorfose de Ariel,
nossos desafetos em uma ilha.
E a vida só é precisa quando a dor dói direito.
Somos feitos da mesma substância
de que são feitos os sonhos,
a metamorfose de Ariel,
nossos desafetos em uma ilha.
E a vida só é precisa quando a dor dói direito.
Monday, December 08, 2008
Senex
Teve um dia em que acreditei num fiat lux.
Mas hoje a vida parece
um montão de fósforos queimados.
Mas hoje a vida parece
um montão de fósforos queimados.
Friday, December 05, 2008
O Lago dos Cisnes
Nao joguem comidas aos animais.
Não é por isso que irão dançar.
Irão dançar como sempre atavicamente dançam.
No farfalhar das asas todas
tem um mundo que se chama mundo.
Não é por isso que irão dançar.
Irão dançar como sempre atavicamente dançam.
No farfalhar das asas todas
tem um mundo que se chama mundo.
Tuesday, September 30, 2008
Sempre
Seu corpo se verga
ainda quando nem mais insisto.
Seu tão vário e mesmo abrigo
disfarça mal o que quer que juntos conjuguemos.
Nem verbo mais eu tenho:
de amor tanto sou sua poesia,
e sou outro.
ainda quando nem mais insisto.
Seu tão vário e mesmo abrigo
disfarça mal o que quer que juntos conjuguemos.
Nem verbo mais eu tenho:
de amor tanto sou sua poesia,
e sou outro.
Wednesday, July 30, 2008
Poema
A oxidação pousou em minha lingua como o sabor da desaparição.
O esquecimento entrou em minha lingua e nada tive a fazer senão o esquecimento
E não aceitei outro valor além da impossibilidade.
Como um barco calcificado em um país do qual se tirou o mar,
Escutei a rendição de meus ossos depositando-se em descanso;
escutei a rápida fuga dos insetos e a retração da sombra ao ingressar no que restava de mim;
escutei até que a verdade deixou de existir no espaço e em meu espírito
e não pude resistir à perfeição do silêncio.
(Antonio Gamoneda)
O esquecimento entrou em minha lingua e nada tive a fazer senão o esquecimento
E não aceitei outro valor além da impossibilidade.
Como um barco calcificado em um país do qual se tirou o mar,
Escutei a rendição de meus ossos depositando-se em descanso;
escutei a rápida fuga dos insetos e a retração da sombra ao ingressar no que restava de mim;
escutei até que a verdade deixou de existir no espaço e em meu espírito
e não pude resistir à perfeição do silêncio.
(Antonio Gamoneda)
Sunday, July 27, 2008
Escolhas
Friday, June 06, 2008
Imagem
Quando agora eu não preciso
E nem precisar mais sei
Eis que tu me arroubas com tua imagem
num sonho:
E volto de volta a você.
As coisas semelham nuvens,
Às vezes as nuvens semelham nada.
Zé Eduardo
E nem precisar mais sei
Eis que tu me arroubas com tua imagem
num sonho:
E volto de volta a você.
As coisas semelham nuvens,
Às vezes as nuvens semelham nada.
Zé Eduardo
Saturday, February 23, 2008
Y revisitada (2)
Estas coisas que o tempo não disfarça, ou engana.
Estas marcas que nada pode lavar,
nada que se conheça ou venha a ser descoberto,
sofás tintos de vinhos tornados prováveis
onde você escorre desabaladamente.
Bancos de praças nos quais me deito mirando
estrelas que remetem sempre a tuas doces constelações,
selvageria de gritos, esta baderna amorosa
que resolvi contra tudo e tanto querer,
mulher dos circos, abacadabra, truques da simplicidade extrema
a que resolvemos nos resumir.
Estas marcas que nada pode lavar,
nada que se conheça ou venha a ser descoberto,
sofás tintos de vinhos tornados prováveis
onde você escorre desabaladamente.
Bancos de praças nos quais me deito mirando
estrelas que remetem sempre a tuas doces constelações,
selvageria de gritos, esta baderna amorosa
que resolvi contra tudo e tanto querer,
mulher dos circos, abacadabra, truques da simplicidade extrema
a que resolvemos nos resumir.
Friday, February 22, 2008
Y revisitada
Tuesday, February 19, 2008
Neva muito no Líbano
Neva muito hoje no Líbano.
Sempre pareceu a nós praias ensolaradas
E cidades bombardeadas pela insanidade
De um mundo que escolheu – erroneamente –
o poder do estado sobre nós seres pequenos,
amorosos, herdeiros infelizes da ditadura do indivíduo,
revoluções de uma longínqua e enganada Europa.
O indivíduo, esta entidade melhor inexistente,
focilando nos shopping centers
onde se decide a ruptura dos tecidos das almas,
o desastre, os massacres, a plastificação das águas,
gota nenhuma a sobrar das torneiras e das fontes,
nada que mate mais a sede de uma sede que não sabe o que lhe falta,
esta rotina de desejo e frustração, estes dejetos,
estes escombros de onde hoje neva e no verão
há o sol com medo dos mísseis,
há a terra arrasada de onde veio minha mulher
e todos os seus filhos e netos a esperar que um dia
tudo se reconstrua, algo sobreviva à precariedade
de filósofos que ingenuamente pensaram inaugurar
a civilização que um dia julgaram ser essencial,
nossa condenação ao descaso e ao desdenho,
a tumba mesma de onde nossas vozes, oprimidas,
jamais deixarão de gritar.
Zé Eduardo,
10/2/2008
Sempre pareceu a nós praias ensolaradas
E cidades bombardeadas pela insanidade
De um mundo que escolheu – erroneamente –
o poder do estado sobre nós seres pequenos,
amorosos, herdeiros infelizes da ditadura do indivíduo,
revoluções de uma longínqua e enganada Europa.
O indivíduo, esta entidade melhor inexistente,
focilando nos shopping centers
onde se decide a ruptura dos tecidos das almas,
o desastre, os massacres, a plastificação das águas,
gota nenhuma a sobrar das torneiras e das fontes,
nada que mate mais a sede de uma sede que não sabe o que lhe falta,
esta rotina de desejo e frustração, estes dejetos,
estes escombros de onde hoje neva e no verão
há o sol com medo dos mísseis,
há a terra arrasada de onde veio minha mulher
e todos os seus filhos e netos a esperar que um dia
tudo se reconstrua, algo sobreviva à precariedade
de filósofos que ingenuamente pensaram inaugurar
a civilização que um dia julgaram ser essencial,
nossa condenação ao descaso e ao desdenho,
a tumba mesma de onde nossas vozes, oprimidas,
jamais deixarão de gritar.
Zé Eduardo,
10/2/2008
Sunday, February 10, 2008
Barcelona
Eu não sei quanto de Mediterrâneo
Se enxerga deste ibérico delírio.
Eu só sei que no meio do caminho,
Quando me encontrava numa selva escura,
A alva tua figura pressenti
E o canto que Colombo não pôde entoar
De seu pedestal sobre as águas
Eu o cantei todo, e mais, e além, e muito.
10/02/2008
Se enxerga deste ibérico delírio.
Eu só sei que no meio do caminho,
Quando me encontrava numa selva escura,
A alva tua figura pressenti
E o canto que Colombo não pôde entoar
De seu pedestal sobre as águas
Eu o cantei todo, e mais, e além, e muito.
10/02/2008
Thursday, January 31, 2008
Pra dizer adeus
Este infecundo perseguir de nuvens,
poema que começa de seu fim.
Adriça de bandeiras, tramelas de portas que nunca se abriram
Ilusões arrebatadas dos cafundós da alma redescoberta
Morro que subiria hoje a pé nem que empoeirado achasse acima o nada,
Apenas para desencontrar o que nunca me foi dado como certo.
Zé Eduardo
30 de Janeiro de 2007
poema que começa de seu fim.
Adriça de bandeiras, tramelas de portas que nunca se abriram
Ilusões arrebatadas dos cafundós da alma redescoberta
Morro que subiria hoje a pé nem que empoeirado achasse acima o nada,
Apenas para desencontrar o que nunca me foi dado como certo.
Zé Eduardo
30 de Janeiro de 2007
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