Os sulcos quando você franze a testa.
Tuas mãos.
O bater de cílios que faz ventar a folha de papel onde eu tentei em vão escrever um poema.
Teus pés inertes e incomodados.
Suas mãos que sempre espalham pelas mesas lacres de cigarros, palitos de fósforo e uma tristeza funda vinda de alguém que nem sequer é triste.
Seus lábios que abraçam a beira de um copo.
A gola de seus improvisados agasalhos.
Teu pescoço comprido como um quadro de Modigliani.
Teu olhar comprido como o mundo e além dele.
Tudo que eu não digo.
Tudo que eu não tenho mais como dizer.
Julho 2010
Thursday, July 22, 2010
Wednesday, July 21, 2010
O céu de Brasília 2
Porque finalmente as coisas são como são,
Eu deito os olhos nas nuvens e não vejo mais gigantes,
Ursos, rostos de aparência extravagante, ou sonhos bons,
Ou pesadelos.
Eu vejo os aviões singrando um céu claro
E depois baixo os olhos e vejo a coruja na cerca,
E depois adentro os olhos e os recolho,
Porque ando maravilhado,
Porque finalmente as coisas são como são.
Julho 2010
Eu deito os olhos nas nuvens e não vejo mais gigantes,
Ursos, rostos de aparência extravagante, ou sonhos bons,
Ou pesadelos.
Eu vejo os aviões singrando um céu claro
E depois baixo os olhos e vejo a coruja na cerca,
E depois adentro os olhos e os recolho,
Porque ando maravilhado,
Porque finalmente as coisas são como são.
Julho 2010
Sunday, May 30, 2010
Dor
Meu corpo ainda dói todas as manhãs,
e me levanto vestindo chinelos
e tateio sempre o caminho das relíquias pisoteadas.
Sincopadamente a vida prossegue
no tango de becos abandonados onde as sombras dançam
neste alheamento dos dias que são sempre quartas-feiras,
terças-feiras, oitavas dedilhadas em teclado que a morte desafinou.
Eu respiro você a cada manhã e a cada respirar,
fumaça espiralando conjeturas,
tudo que nunca mais vai ser,
tudo que eu queria que um dia ainda fosse.
e me levanto vestindo chinelos
e tateio sempre o caminho das relíquias pisoteadas.
Sincopadamente a vida prossegue
no tango de becos abandonados onde as sombras dançam
neste alheamento dos dias que são sempre quartas-feiras,
terças-feiras, oitavas dedilhadas em teclado que a morte desafinou.
Eu respiro você a cada manhã e a cada respirar,
fumaça espiralando conjeturas,
tudo que nunca mais vai ser,
tudo que eu queria que um dia ainda fosse.
Thursday, May 13, 2010
Outono
Esta melancolia
de bule fervendo e galinhas ciscando no quintal.
Esta triste limitação do tempo
e o jogo com bola de meia no fim da tarde na rua Oscar Freire.
Esta abundância da memória em que eu patino rouco e desatinado,
estas damas-da-noite cujo cheiro busco em todos os cheiros.
Este túnel de infindo comprimento,
esta luz baça de lamparina pendurada na porta,
a poeira que a vassoura varre que paira no ar como uma neve.
Bafejo no espelho e escrevo nele com o dedo que eu te amo,
sopro o ar frio esta fumaça de inverno precoce,
este precoce encanecer de tudo.
13.5.2010
de bule fervendo e galinhas ciscando no quintal.
Esta triste limitação do tempo
e o jogo com bola de meia no fim da tarde na rua Oscar Freire.
Esta abundância da memória em que eu patino rouco e desatinado,
estas damas-da-noite cujo cheiro busco em todos os cheiros.
Este túnel de infindo comprimento,
esta luz baça de lamparina pendurada na porta,
a poeira que a vassoura varre que paira no ar como uma neve.
Bafejo no espelho e escrevo nele com o dedo que eu te amo,
sopro o ar frio esta fumaça de inverno precoce,
este precoce encanecer de tudo.
13.5.2010
Wednesday, March 03, 2010
A vida
A vida, apenas e afinal de contas,
vida tão comezinha e miserável,
esta conta que não fecha nunca,
este passar a régua em retas inúteis.
A vida, trêfega luz,
O vai e vem do balanço,
Minha tia me joga para cima e tudo é regozijo.
A vida, este armazém de memórias,
Repositório de trastes,
Traças, poeira, este cheiro de nunca mais.
vida tão comezinha e miserável,
esta conta que não fecha nunca,
este passar a régua em retas inúteis.
A vida, trêfega luz,
O vai e vem do balanço,
Minha tia me joga para cima e tudo é regozijo.
A vida, este armazém de memórias,
Repositório de trastes,
Traças, poeira, este cheiro de nunca mais.
Wednesday, February 17, 2010
Um sangue, outro
Se cada um de mim se fatiasse na balança
Eu nem mesmo saberia jamais de onde viria o maior peso.
Se um dia eu pudesse morrer de tudo
Eu certamente de tudo morreria.
Parece que um dia eu perdi meu passo
E nada há mais que me console.
Estou feito balão solto no ar em festa de criança,
A desatinar de tudo o que faz sentido.
Meu coração não para de sangrar, deve ser de quando eu nasci.
Eu nem mesmo saberia jamais de onde viria o maior peso.
Se um dia eu pudesse morrer de tudo
Eu certamente de tudo morreria.
Parece que um dia eu perdi meu passo
E nada há mais que me console.
Estou feito balão solto no ar em festa de criança,
A desatinar de tudo o que faz sentido.
Meu coração não para de sangrar, deve ser de quando eu nasci.
Friday, February 12, 2010
Coisas que não existem
A vida linear não existe.
Não existe nada linear.
Nem uma régua,
Ou a idéia que tenhamos dela.
Nem molduras de quadros, tamanhos de livros,
Prumos, telhados, marcos supostamente
Bem postados nas estradas,
Virgindades, finais de filmes onde
Tudo acaba bem, ou mal.
Só existe o sangue
Cuja pulsação varia como
Os marcadores em aparelhos de hospital.
Nem mapas que tentam tornar plana uma terra
Que padece de sua circularidade.
Pulando eternamente fora de suas rotas
Partículas ínfimas geram luz
Como a prova única de estarmos vivos.
Aí estão nossas esperanças,
lágrimas que brotam de uma tão simples percepção
Que nem custa mas também nada vale explicar.
O sal existe.
São cristais, pedras pequenas, sabores,
Sem o qual tudo seria o alimento
Da vida de hospital
De moribundos.
Eu me recuso
A não poder ser doido como o velho a quem atiram pedras.
Eu me recuso a ser previsível como
Honestamente jamais poderia ser.
Eu me entrego a um tempo que mal se sabe
Por não ter em natureza como se saber.
Troveja, chove, e eu navego como o barco do cozinheiro
Bem fazendo meu prato na tempestade.
Não existe nada linear.
Nem uma régua,
Ou a idéia que tenhamos dela.
Nem molduras de quadros, tamanhos de livros,
Prumos, telhados, marcos supostamente
Bem postados nas estradas,
Virgindades, finais de filmes onde
Tudo acaba bem, ou mal.
Só existe o sangue
Cuja pulsação varia como
Os marcadores em aparelhos de hospital.
Nem mapas que tentam tornar plana uma terra
Que padece de sua circularidade.
Pulando eternamente fora de suas rotas
Partículas ínfimas geram luz
Como a prova única de estarmos vivos.
Aí estão nossas esperanças,
lágrimas que brotam de uma tão simples percepção
Que nem custa mas também nada vale explicar.
O sal existe.
São cristais, pedras pequenas, sabores,
Sem o qual tudo seria o alimento
Da vida de hospital
De moribundos.
Eu me recuso
A não poder ser doido como o velho a quem atiram pedras.
Eu me recuso a ser previsível como
Honestamente jamais poderia ser.
Eu me entrego a um tempo que mal se sabe
Por não ter em natureza como se saber.
Troveja, chove, e eu navego como o barco do cozinheiro
Bem fazendo meu prato na tempestade.
Wednesday, January 13, 2010
Nada hoje autoriza qualquer otimismo
Nada hoje autoriza qualquer otimismo.
A revolução não virá a tempo,
e homens esquecidos da razão de ser – a humanidade -
seguirão a fazer perecer tudo o que nos foi concedido,
luz, perdão, migalhas a que corpos se atiram inutilmente.
Meu pai me dizia que eu chorava à toa quando os tanques rolavam sobre Praga.
A revolução não virá a tempo,
e ninguém vai nos tirar dos apocalípticos escombros.
Chove tanto sobre o mundo,
e as lágrimas serão inférteis testemunhos de nossa desrazão.
A revolução não virá a tempo,
e homens esquecidos da razão de ser – a humanidade -
seguirão a fazer perecer tudo o que nos foi concedido,
luz, perdão, migalhas a que corpos se atiram inutilmente.
Meu pai me dizia que eu chorava à toa quando os tanques rolavam sobre Praga.
A revolução não virá a tempo,
e ninguém vai nos tirar dos apocalípticos escombros.
Chove tanto sobre o mundo,
e as lágrimas serão inférteis testemunhos de nossa desrazão.
Tuesday, January 12, 2010
Algaravia
Nem sei de onde vem
esta inopinada alegria.
Não sei se é este cheiro de terra depois da chuva,
a nuvem que me olha com cara de nuvem apenas
(achei que era Netuno, logo se desmanchou).
Não sei se é esta brisa benfazeja,
ou teu hálito a me visitar em doce nostalgia,
teus pés que se resolvem enfim em meus sentidos.
Não sei, e benza Deus que não entendo.
O mundo é a algaravia,
e não nunca cabe o decifrar.
esta inopinada alegria.
Não sei se é este cheiro de terra depois da chuva,
a nuvem que me olha com cara de nuvem apenas
(achei que era Netuno, logo se desmanchou).
Não sei se é esta brisa benfazeja,
ou teu hálito a me visitar em doce nostalgia,
teus pés que se resolvem enfim em meus sentidos.
Não sei, e benza Deus que não entendo.
O mundo é a algaravia,
e não nunca cabe o decifrar.
Sunday, January 10, 2010
No meu jardim
No jardim da minha imaginação
Tem cravos, primaveras, buganvíleas,
margaridas, girassóis, damas-da noite,
violetas, anêmonas, avencas, azaléias,
magnólias, lírios, narcisos, tulipas, primaveras.
No meu jardim tem antúrios, alcachofras, mimosas,
alpínias, gardênias, gérberas, bromélias,
cactus, camélias, e mato, muito mato.
No meu jardim tem bichos espantosos, abelhas,
tem chuva e depois da chuva,
tem sol e tem lua e noite,
ciclames, frésias e lírios,
prímulas e helicônias,
amores-perfeitos (e imperfeitos), violetas.
Tem grama e chão onde deitar
para ouvir o coração da terra
que molha nossos corpos no orvalho.
Do meu jardim a relva às vezes sai desordenada,
vitalidade que pula das sementes e se espalha para o céu.
E tem besouros, vagalumes, louva-deus, taturanas,
beija-flores, sabiás na comunhão
de tudo que cultua a luz.
No meu jardim a sombra é apenas o descanso
e o alívio quando o calor queima.
No meu jardim agora é outono
e a claridade bate de banda
como de banda a gente anda quando anda em solidão.
No meu jardim tem minúsculas casinhas
onde habitam deuses invisíveis,
imagens que conduzem nossas vidas.
No meu jardim as coisas fenescem e morrem e retornam,
eternamente.
No meu jardim tem espinhos e a aridez da argila,
massinha de moldar em busca de seu molde.
No meu jardim há olhos que não dormem e brilham no escuro,
fantasmas e ninfas que moram nas fontes.
No meu jardim a água corre e a seiva jorra dos troncos
e minhocas hibernam até revolver a massa escura, aconchegante e quente e úmida que vai dar na superfície,
onde as esperam o risco da morte retorcida na secura ou o alimento.
Não tem artifícios, o meu jardim.
Nele simplesmente tudo está ou não está,
porque nele o olhar revela tudo.
Mas tem uma coisa que falta em meu jardim.
No jardim da minha vida
eu quero é molhar a sua rosinha.
Tem cravos, primaveras, buganvíleas,
margaridas, girassóis, damas-da noite,
violetas, anêmonas, avencas, azaléias,
magnólias, lírios, narcisos, tulipas, primaveras.
No meu jardim tem antúrios, alcachofras, mimosas,
alpínias, gardênias, gérberas, bromélias,
cactus, camélias, e mato, muito mato.
No meu jardim tem bichos espantosos, abelhas,
tem chuva e depois da chuva,
tem sol e tem lua e noite,
ciclames, frésias e lírios,
prímulas e helicônias,
amores-perfeitos (e imperfeitos), violetas.
Tem grama e chão onde deitar
para ouvir o coração da terra
que molha nossos corpos no orvalho.
Do meu jardim a relva às vezes sai desordenada,
vitalidade que pula das sementes e se espalha para o céu.
E tem besouros, vagalumes, louva-deus, taturanas,
beija-flores, sabiás na comunhão
de tudo que cultua a luz.
No meu jardim a sombra é apenas o descanso
e o alívio quando o calor queima.
No meu jardim agora é outono
e a claridade bate de banda
como de banda a gente anda quando anda em solidão.
No meu jardim tem minúsculas casinhas
onde habitam deuses invisíveis,
imagens que conduzem nossas vidas.
No meu jardim as coisas fenescem e morrem e retornam,
eternamente.
No meu jardim tem espinhos e a aridez da argila,
massinha de moldar em busca de seu molde.
No meu jardim há olhos que não dormem e brilham no escuro,
fantasmas e ninfas que moram nas fontes.
No meu jardim a água corre e a seiva jorra dos troncos
e minhocas hibernam até revolver a massa escura, aconchegante e quente e úmida que vai dar na superfície,
onde as esperam o risco da morte retorcida na secura ou o alimento.
Não tem artifícios, o meu jardim.
Nele simplesmente tudo está ou não está,
porque nele o olhar revela tudo.
Mas tem uma coisa que falta em meu jardim.
No jardim da minha vida
eu quero é molhar a sua rosinha.
Tuesday, January 05, 2010
Zero Hora
Não é mais hoje
e mal ainda é amanhã.
Venta pedras sólidas
e meu corpo esfacelado
se agarra a um poste
onde um cão mija, indiferente.
Está em minhas mãos,
está em minha memória,
estão em minhas chagas
estas lascas despregadas de tempo,
estas coisas que flutuam, baças,
opacidade de céu de neve.
Eu saúdo a súbita apreensão de mim.
A musa nasce, eu parto, velas enfunadas,
faróis dormentes em arrecifes,
a navegação pelo cheiro,
a vida exala alga e rosmaninho,
cozinha de nuvens, marcos onde restam atirados
o que sobrou e o que há por vir.
Zero hora em todos os meridianos,
nos significados todos,
e o jazz soa doce alheio a tudo.
e mal ainda é amanhã.
Venta pedras sólidas
e meu corpo esfacelado
se agarra a um poste
onde um cão mija, indiferente.
Está em minhas mãos,
está em minha memória,
estão em minhas chagas
estas lascas despregadas de tempo,
estas coisas que flutuam, baças,
opacidade de céu de neve.
Eu saúdo a súbita apreensão de mim.
A musa nasce, eu parto, velas enfunadas,
faróis dormentes em arrecifes,
a navegação pelo cheiro,
a vida exala alga e rosmaninho,
cozinha de nuvens, marcos onde restam atirados
o que sobrou e o que há por vir.
Zero hora em todos os meridianos,
nos significados todos,
e o jazz soa doce alheio a tudo.
Wednesday, December 02, 2009
Ser poeta é uma merda
Ser poeta
Ser poeta é uma merda,
só faz a gente sofrer.
As musas vão e vêm
Como se a gente fosse a porta giratória
de um hotel onde eventualmente se pernoita,
e onde deixam em vermelho incadescente
seus registros na portaria.
Se enredam na insubstância de nossas palavras
e nós viramos léxico arrumadinho, estrambótico, romântico,
para o deleite dos álbuns de recordações
deitados quietos nos escuros
enquanto elas, amadas,
vestidas dos pitéus finos de apaixonados adjetivos
despem-se em leitos alhures
sangrando as carnes e quebrando os ossos
de que elas não supõem
que somos também feitos.
Ser poeta é uma merda,
Preferiria a calma indiferença de uma concha,
um toco, um taco de assoalho.
Mas não adianta.
Ser poeta é uma merda.
Ser poeta é uma merda,
só faz a gente sofrer.
As musas vão e vêm
Como se a gente fosse a porta giratória
de um hotel onde eventualmente se pernoita,
e onde deixam em vermelho incadescente
seus registros na portaria.
Se enredam na insubstância de nossas palavras
e nós viramos léxico arrumadinho, estrambótico, romântico,
para o deleite dos álbuns de recordações
deitados quietos nos escuros
enquanto elas, amadas,
vestidas dos pitéus finos de apaixonados adjetivos
despem-se em leitos alhures
sangrando as carnes e quebrando os ossos
de que elas não supõem
que somos também feitos.
Ser poeta é uma merda,
Preferiria a calma indiferença de uma concha,
um toco, um taco de assoalho.
Mas não adianta.
Ser poeta é uma merda.
Tuesday, November 24, 2009
Thursday, November 05, 2009
A longa jornada noite adentro
Estou num daqueles dias inestimáveis,
nos quais posso pedir em namoro as nuvens.
nos quais posso pedir em namoro as nuvens.
A vida como ela é
Eu se pudesse continuava a escrever com o tremoço em cima do u.
Mas este desejo, como outros que eu tenho,
jamais serão realizados, e nem reconhecidos.
A vida é que nem um zíper na praça do Belenzinho.
Mas este desejo, como outros que eu tenho,
jamais serão realizados, e nem reconhecidos.
A vida é que nem um zíper na praça do Belenzinho.
Tuesday, November 03, 2009
Norma Desmond
Dissimulada, e nem oblíqua
(privilégio de mulheres maduras).
Feito placa de estrada na neblina:
se está lá, nada de sinal carece,
e se já está, acontece onde sempre esteve.
(privilégio de mulheres maduras).
Feito placa de estrada na neblina:
se está lá, nada de sinal carece,
e se já está, acontece onde sempre esteve.
Tuesday, August 11, 2009
Para Paul Verlaine, vivo fosse
Hoje me parece que foi você quem deu ouvido
a meus delírios desvairados.
E que entre trema e trena
pontuou o inusitado
e mediu o desmedido.
(Neste botequim onde até o guardanapo é barato
registro estas histórias
que o coração me diz,
meus torpedos da lata aquém do mundo.
E é tão barata a filosofia que ela só nestes balcões ocorre,
e no boteco é onde sempre de verdade se morre.)
a meus delírios desvairados.
E que entre trema e trena
pontuou o inusitado
e mediu o desmedido.
(Neste botequim onde até o guardanapo é barato
registro estas histórias
que o coração me diz,
meus torpedos da lata aquém do mundo.
E é tão barata a filosofia que ela só nestes balcões ocorre,
e no boteco é onde sempre de verdade se morre.)
Monday, June 08, 2009
minha alma
minha alma anda turva
como a água a entupir minhas vias
respiratórias.
lágrimas sem filtro,
trilhas desandadas,
parece que tudo vai dar numa cachoeira de abandono.
(numa final inédita de meu campeonato
eu torço para qualquer time que ganhe,
desde que haja partida.)
fico pensando se é bom escrever este poema.
como a água a entupir minhas vias
respiratórias.
lágrimas sem filtro,
trilhas desandadas,
parece que tudo vai dar numa cachoeira de abandono.
(numa final inédita de meu campeonato
eu torço para qualquer time que ganhe,
desde que haja partida.)
fico pensando se é bom escrever este poema.
Friday, January 30, 2009
Para Olívia
Por minha filha estarei em estado
de eterna vigília.
Por ela, sempre, meu coração
vibrará em cada corda que ela tocar.
de eterna vigília.
Por ela, sempre, meu coração
vibrará em cada corda que ela tocar.
Sunday, December 21, 2008
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