Sunday, May 20, 2012
Nada que eu me lembre,
examinando as fatias de meu coração no tempo,
que passasse remotamente perto do que eu sinto por você.
Nada, nem ninguém, que houvesse me feito assim feliz,
a enxergar a vida como um eterno céu róseo de outono,
onde cores aquecem, onde a pálida luz nos ilumina sem fanfarras, festivais, sem exuberância
(e onde, não obstante, há este tanto desejo tão presente).
E é por adivinhar você assim, como as cores inesgotáveis de seus cabelos,
é por ouvir todas as duas desencontradas vozes que eu amo você assim sem medida:
não há centímetro, polegada, metro, acre, hectare que lhe meça,
e você está em cada arfar de meu respiro,
em cada passo de meus passos,
em todas as vidas da minha vida.
São Paulo, 19/5/2012
Tuesday, April 17, 2012
Friday, April 13, 2012
Os bichos os desenhos animados
O toque de sua pele me lembra dos bichos dos desenhos animados,
e eu nunca vou saber porque.
O beijo de sua boca me recorda alguma infância perdida tarde em uma praia distante,
e eu não sei de onde isso vem.
Você toda me remete apenas a você,
eu te amo e te espero para juntos fecharmos uma conta e abrir
sempre os balcões de onde nos debruçaremos a olhar a vida.
São Paulo, 7 abril de 2012
e eu nunca vou saber porque.
O beijo de sua boca me recorda alguma infância perdida tarde em uma praia distante,
e eu não sei de onde isso vem.
Você toda me remete apenas a você,
eu te amo e te espero para juntos fecharmos uma conta e abrir
sempre os balcões de onde nos debruçaremos a olhar a vida.
São Paulo, 7 abril de 2012
A doçura das desintrincadas tardes
A doçura destas desintrincadas tardes quentes
Quando a araponga bate ferro na modorra
E mosquitos zunem tontos, pasmos, inadequados no calor inesperado de abril,
E as roupas dormem sufocadas nos armários feito múmias,
Sao estas horas de versos disparatados nas quais você surge, um desengonço,
Caminhando trôpega com tuas pernas magras
Pisando impiedosa em meu coração.
Benvinda visão trêfega turva cristalina trovão rugindo em céu de brigadeiro.
Benvinda palpável imaterial realidade,
Benvinda aa minha vida cansada de tangencias.
SP, 10 de abril de 2012
Quando a araponga bate ferro na modorra
E mosquitos zunem tontos, pasmos, inadequados no calor inesperado de abril,
E as roupas dormem sufocadas nos armários feito múmias,
Sao estas horas de versos disparatados nas quais você surge, um desengonço,
Caminhando trôpega com tuas pernas magras
Pisando impiedosa em meu coração.
Benvinda visão trêfega turva cristalina trovão rugindo em céu de brigadeiro.
Benvinda palpável imaterial realidade,
Benvinda aa minha vida cansada de tangencias.
SP, 10 de abril de 2012
Para sempre
Sentir a tua pele alva
com o toque de meus dedos trêmulos,
misturar todos os sentidos,
te ouvir onde te vejo, te apalpar onde te cheiro,
te lamber onde te ouço.
São Paulo, 13 de abril de 2012
com o toque de meus dedos trêmulos,
misturar todos os sentidos,
te ouvir onde te vejo, te apalpar onde te cheiro,
te lamber onde te ouço.
São Paulo, 13 de abril de 2012
Monday, April 02, 2012
Tua voz
Tua voz inaugura meu dia já no começo da tarde,
tudo recomeça com esta luz que nuvem nenhuma mais bloqueia
e teu sorriso invade a sala onde logo tudo vai se chamar nosso,
a casa onde todos os teus cheiros vão pairar,
o espaço onde ensaiaremos dia a dia nossas danças,
o aprender eterno e amoroso dos gestos que se chamam vida.
São Paulo, 2 de abril de 2012
tudo recomeça com esta luz que nuvem nenhuma mais bloqueia
e teu sorriso invade a sala onde logo tudo vai se chamar nosso,
a casa onde todos os teus cheiros vão pairar,
o espaço onde ensaiaremos dia a dia nossas danças,
o aprender eterno e amoroso dos gestos que se chamam vida.
São Paulo, 2 de abril de 2012
Porque inauguras esse inusitado outono,
eu te amo.
Porque deitas suas folhas sobre minha relva,
sussurras em meus ouvidos sempre tão apaixonadamente,
te quero.
Porque o frio se aproxima, mas nós sabemos passar as estações,
porque elas se misturam como vinhas
que produzem os melhores dos melhores sonhos,
eu te desejo.
16.3.2012
eu te amo.
Porque deitas suas folhas sobre minha relva,
sussurras em meus ouvidos sempre tão apaixonadamente,
te quero.
Porque o frio se aproxima, mas nós sabemos passar as estações,
porque elas se misturam como vinhas
que produzem os melhores dos melhores sonhos,
eu te desejo.
16.3.2012
Agora que o tempo,
Ainda que ainda suspenso,
Começa a ditar esta simultânea marcha
de nossas vidas ambas;
Agora que adivinhamos
A hora vizinha de vivermos juntos,
Se juntam dentro de mim
as palavras todas que eu sempre quero tanto te dizer:
Janela, beiral, terra, chão batido, goiabeira,
pés descalços dedos teus pisando o quintal onde moram os desejos,
Pomar, frutas, tua rubra intimidade, sementes a plantar em teu regaço,
Espaço meu recôndito onde habito,
Teu olhar amplo para o céu ,
as mãos compridas compondo redondilhas,
Embrulhando com barbante tuas cantigas a enviar para mim pelos correios,
Tuas palavras que atravessam distancias toda noite,
A sonoridade inaudita de tuas vontades,
Caprichos de menina, conspícuos olhos de mulher,
Vem me banhar com tuas águas mornas,
Vem deitar teu esguio corpo junto ao meu,
Vem me ouvir falar em teu ouvido que te amo.
SP 28.3.2012
Ainda que ainda suspenso,
Começa a ditar esta simultânea marcha
de nossas vidas ambas;
Agora que adivinhamos
A hora vizinha de vivermos juntos,
Se juntam dentro de mim
as palavras todas que eu sempre quero tanto te dizer:
Janela, beiral, terra, chão batido, goiabeira,
pés descalços dedos teus pisando o quintal onde moram os desejos,
Pomar, frutas, tua rubra intimidade, sementes a plantar em teu regaço,
Espaço meu recôndito onde habito,
Teu olhar amplo para o céu ,
as mãos compridas compondo redondilhas,
Embrulhando com barbante tuas cantigas a enviar para mim pelos correios,
Tuas palavras que atravessam distancias toda noite,
A sonoridade inaudita de tuas vontades,
Caprichos de menina, conspícuos olhos de mulher,
Vem me banhar com tuas águas mornas,
Vem deitar teu esguio corpo junto ao meu,
Vem me ouvir falar em teu ouvido que te amo.
SP 28.3.2012
A vida sem você
Tiraram de mim meus piões, os fios de minhas pipas,
a caixinha de meus tocos de giz colorido
com os quais eu desenhava a amarelinha
para pular até o seu céu.
Me botaram sentado olhando pro cantinho da parede,
Eu que só faço te amar.
A vida longe de você nao presta.
março 2012
a caixinha de meus tocos de giz colorido
com os quais eu desenhava a amarelinha
para pular até o seu céu.
Me botaram sentado olhando pro cantinho da parede,
Eu que só faço te amar.
A vida longe de você nao presta.
março 2012
Monday, February 27, 2012
A Construção da Intimidade
Eu te dou: minhas bolinhas de gude,
a verde com uma lasca de banda,
a amarela rajada como teu olho (que nao sei se é o esquerdo ou o direito).
Você me dá: tuas caixinhas com
tuas cartas de amor,
teus santos todos,
os pedaços de chocolate que não estiverem debaixo de tua cama,
os retratos de teus cavalos,
os cavaleiros de toda a Távola Redonda,
uma jangada de papel para se chegar a bom termo a Ítaca.
Eu te dou: minhas noites insones, meus espantos,
o bauzinho com o camafeu do rosto que não conheço,
um prendedor de gravata de meu pai
(porque eu também sei ser sisudo),
o menino que olha de dentro da foto com as mãos pequenas postas sobre a mesa,
o globo do mundo e a lousa atrás com os meus saberes todos, os olhos que sobre ti pousam bonitos e alumbrados.
Você me dá: minha ilha onde no momento chove, meu silêncio e minha solidão,
tua canequinha de folha de flandres de tua infância descalça num canto de Pernambuco,
teu canivete para descascar as mangas,
as partículas brilhantes do solo onde pisas com teus dedos finos e espalhados.
Eu te dou: a tramela da porta para que nunca ninguém mais a tranque,
as estrelinhas de botar no teto que eu comprei um dia para até então dormirem sob o tempo nublado,
meu sopro que revela o céu no qual teu hálito habita.
Você me dá: o troquinho do sorvete,
as ninharias pequenas e as grandes,
os estalinhos de São João,
o luzir, as tempestades das quais tu tens tanto medo, os raios de tudo que em ti reverbera.
Eu te dou: todo o mato que em mim cresce sem controle,
meu desajuízo, minha intermitência e minha perenidade,
minhas águas que lavam todos os pelos que contém seu corpo,
meus sonhos que não conto para ninguem,
mas só para você eu conto porque moram em meus olhos que tu aquietas,
eu enfim feliz,
eu finalmente repousado.
Salvador, 19 de fevereiro de 2012
a verde com uma lasca de banda,
a amarela rajada como teu olho (que nao sei se é o esquerdo ou o direito).
Você me dá: tuas caixinhas com
tuas cartas de amor,
teus santos todos,
os pedaços de chocolate que não estiverem debaixo de tua cama,
os retratos de teus cavalos,
os cavaleiros de toda a Távola Redonda,
uma jangada de papel para se chegar a bom termo a Ítaca.
Eu te dou: minhas noites insones, meus espantos,
o bauzinho com o camafeu do rosto que não conheço,
um prendedor de gravata de meu pai
(porque eu também sei ser sisudo),
o menino que olha de dentro da foto com as mãos pequenas postas sobre a mesa,
o globo do mundo e a lousa atrás com os meus saberes todos, os olhos que sobre ti pousam bonitos e alumbrados.
Você me dá: minha ilha onde no momento chove, meu silêncio e minha solidão,
tua canequinha de folha de flandres de tua infância descalça num canto de Pernambuco,
teu canivete para descascar as mangas,
as partículas brilhantes do solo onde pisas com teus dedos finos e espalhados.
Eu te dou: a tramela da porta para que nunca ninguém mais a tranque,
as estrelinhas de botar no teto que eu comprei um dia para até então dormirem sob o tempo nublado,
meu sopro que revela o céu no qual teu hálito habita.
Você me dá: o troquinho do sorvete,
as ninharias pequenas e as grandes,
os estalinhos de São João,
o luzir, as tempestades das quais tu tens tanto medo, os raios de tudo que em ti reverbera.
Eu te dou: todo o mato que em mim cresce sem controle,
meu desajuízo, minha intermitência e minha perenidade,
minhas águas que lavam todos os pelos que contém seu corpo,
meus sonhos que não conto para ninguem,
mas só para você eu conto porque moram em meus olhos que tu aquietas,
eu enfim feliz,
eu finalmente repousado.
Salvador, 19 de fevereiro de 2012
A Sagração da Primavera
Estas sementes deitadas em nossos lençóis,
estes dias em que tudo começou para não mais terminar,
o que brotou, floresceu, morreu, tornou a brotar de novo,
neste doce contínuo de teu ser,
esta trégua que tu impões ao tempo,
o ritmo desta determinada marcha
da seiva com que tu cobres estas nossas vidas de nós inesgotáveis,
os espelhos que tu crias na colheita do orvalho em tuas folhas,
a noite de pirilampos que tu acendes
para que trilhem iluminadas nossas histórias todas,
caules, troncos rodando rio abaixo,
pétalas que olham das margens de soslaio, coradas de seus recatos,
eu te abraço, te beijo, te amo e te fecundo,
as nuvens se desmancham sobre o solo,
e nossa paixão são os frutos verdes, os frutos maduros, os frutos serenos, o que haverá de dar a comer a quem irá plantar
neste eterno polinizar do mundo.
Salvador, 21 de fevereiro de 2012
estes dias em que tudo começou para não mais terminar,
o que brotou, floresceu, morreu, tornou a brotar de novo,
neste doce contínuo de teu ser,
esta trégua que tu impões ao tempo,
o ritmo desta determinada marcha
da seiva com que tu cobres estas nossas vidas de nós inesgotáveis,
os espelhos que tu crias na colheita do orvalho em tuas folhas,
a noite de pirilampos que tu acendes
para que trilhem iluminadas nossas histórias todas,
caules, troncos rodando rio abaixo,
pétalas que olham das margens de soslaio, coradas de seus recatos,
eu te abraço, te beijo, te amo e te fecundo,
as nuvens se desmancham sobre o solo,
e nossa paixão são os frutos verdes, os frutos maduros, os frutos serenos, o que haverá de dar a comer a quem irá plantar
neste eterno polinizar do mundo.
Salvador, 21 de fevereiro de 2012
Louise chega em minha vida
Estou aprendendo a dar continente
pra esta tua caótica e serelepe radiância.
Estou aprendendo a toda noite abraçar o som de tua voz.
Estou aprendendo a ver você chegar devagar,
você que chega sempre tão súbita,
loiro tsunami de pernas mais altas do que as ondas.
2.2.2012
pra esta tua caótica e serelepe radiância.
Estou aprendendo a toda noite abraçar o som de tua voz.
Estou aprendendo a ver você chegar devagar,
você que chega sempre tão súbita,
loiro tsunami de pernas mais altas do que as ondas.
2.2.2012
Wednesday, February 01, 2012
A mulher beduína
A mulher beduína vaga pelos desertos épicos da Síria.
A mulher beduína trafega pela poeira do meu coração.
Ela é diversa em tudo - seus olhos de heterocromia,
um da cor do damasco, outro verde como os oásis que me proporciona,
criam mundos inúmeros, a mim acostumado a óticas singulares, mas subitamente tomado de surpresa por seus encantos muitos, múltiplos e inenarráveis.
Ela não é uma mulher só, a beduína. Ela traz em si a alegre confusão do souk e a herança dos sabores e cheiros calabreses dos que cruzaram seu caminho em uma mediterrânea troca de sangues, a loira baiana que samba nos blocos, olhando o mundo de sua apreciável altura.
Mulheres beduínas não deixam nunca suas tendas, mas não esta mulher.
Ela se aventura, e em suas peraltices, traquinagens, e seu jogo de bola na rua com seus pés desmesurados provoca fenômenos sísmicos - por onde ela passa a terra treme.
A minha terra treme quando ela passa.
O meu coração nem sabe o que dizer, e ainda bem que não tem de dizer nada.
A mulher beduína é quem enfim eu quero - com seu cheiro, gosto e textura de manga em minha boca, com seu aroma de cânfora, hortelã, manjericão.
A mulher beduína tem propriedade em tudo que fala, e como fala a mulher beduína - fala de mundos reais, paralelos, transversos, e tudo nela é o mesmo mundo.
30.1.2012
A mulher beduína trafega pela poeira do meu coração.
Ela é diversa em tudo - seus olhos de heterocromia,
um da cor do damasco, outro verde como os oásis que me proporciona,
criam mundos inúmeros, a mim acostumado a óticas singulares, mas subitamente tomado de surpresa por seus encantos muitos, múltiplos e inenarráveis.
Ela não é uma mulher só, a beduína. Ela traz em si a alegre confusão do souk e a herança dos sabores e cheiros calabreses dos que cruzaram seu caminho em uma mediterrânea troca de sangues, a loira baiana que samba nos blocos, olhando o mundo de sua apreciável altura.
Mulheres beduínas não deixam nunca suas tendas, mas não esta mulher.
Ela se aventura, e em suas peraltices, traquinagens, e seu jogo de bola na rua com seus pés desmesurados provoca fenômenos sísmicos - por onde ela passa a terra treme.
A minha terra treme quando ela passa.
O meu coração nem sabe o que dizer, e ainda bem que não tem de dizer nada.
A mulher beduína é quem enfim eu quero - com seu cheiro, gosto e textura de manga em minha boca, com seu aroma de cânfora, hortelã, manjericão.
A mulher beduína tem propriedade em tudo que fala, e como fala a mulher beduína - fala de mundos reais, paralelos, transversos, e tudo nela é o mesmo mundo.
30.1.2012
Continente
Estou aprendendo a dar continente
pra esta tua caótica e serelepe radiância.
Estou aprendendo a toda noite abraçar o som de tua voz.
Estou aprendendo a ver você chegar devagar,
você que chega sempre tão súbita,
loiro tsunami de pernas mais altas do que as ondas.
2.1.2012
pra esta tua caótica e serelepe radiância.
Estou aprendendo a toda noite abraçar o som de tua voz.
Estou aprendendo a ver você chegar devagar,
você que chega sempre tão súbita,
loiro tsunami de pernas mais altas do que as ondas.
2.1.2012
Wednesday, June 15, 2011
Sargaços
Tripulações, corpos putrefatos,
viajantes de rotas insensatas,
o destino que o adernar soçobra,
florescências de algas em luzes mal tramadas
tudo que em torno se poderia chamar saudade.
14/6/2011
viajantes de rotas insensatas,
o destino que o adernar soçobra,
florescências de algas em luzes mal tramadas
tudo que em torno se poderia chamar saudade.
14/6/2011
Wednesday, May 18, 2011
Umbra Umbela
Debaixo de teu guarda-sombras estão:
Borrascas, tempestades,
Corpo cheirando após a chuva,
Uma nota de um real amarfanhada onde alguém escreveu:
Que Deus me proteja, em quase incompreensível garatuja;
Um luar que range como se estivesse enferrujado
de tanto ficar parado no mesmo lugar,
A fertilidade de teu ventre,
Pirilampos tingindo todas as tuas noites mal dormidas,
Cupins a desesculpir teu leito,
As ilusões perdidas, os sísmicos abalos
que as fraturas de teu solo provocam,
O hálito neutro da manhã tornado vento
E que o braseiro de teus lábios traduz no mais
desejado beijo de uma vida;
fotografias desbotadas, notas dissonantes, harmonias tortas
a se compor disparatadas e soar como um outono,
folhas a cair milimetricamente ao pé dos plátanos
(que nem sequer existem fora dos romances),
florilégios de uma corte decadente e distante e perdida
que olhos num esgar decifram em hieroglifos,
sentidos múltiplos da mesma escrita;
mesas de bares, beiras de lagos e afetos,
arquiteturas que fazem olhar os céus
onde as constelações se descortinam a não nos revelar nada;
dedos finos, longos, a se incrustar em minhas costas,
em suas doces trilhas indeléveis;
arfar que se desconhecia em noites surpresas
da magia de gozos indecifráveis;
murmúrios, sussurros, palavras ditas que teimam
em jamais se repetir, inclusão de auroras, membros dormentes, peixes olhando paredes de aquários acostumados a nada transpor,
desenhos animados, fantasias, balões pisados no fim da festa,
comemoração que nunca finda, bolos dormindo nas geladeiras para o café da manhã que não virá,
eu tremeluzo, me inflo e abundo
nesta animação tanta e inúmera que tu és.
Zé Eduardo
29/9/2007
Borrascas, tempestades,
Corpo cheirando após a chuva,
Uma nota de um real amarfanhada onde alguém escreveu:
Que Deus me proteja, em quase incompreensível garatuja;
Um luar que range como se estivesse enferrujado
de tanto ficar parado no mesmo lugar,
A fertilidade de teu ventre,
Pirilampos tingindo todas as tuas noites mal dormidas,
Cupins a desesculpir teu leito,
As ilusões perdidas, os sísmicos abalos
que as fraturas de teu solo provocam,
O hálito neutro da manhã tornado vento
E que o braseiro de teus lábios traduz no mais
desejado beijo de uma vida;
fotografias desbotadas, notas dissonantes, harmonias tortas
a se compor disparatadas e soar como um outono,
folhas a cair milimetricamente ao pé dos plátanos
(que nem sequer existem fora dos romances),
florilégios de uma corte decadente e distante e perdida
que olhos num esgar decifram em hieroglifos,
sentidos múltiplos da mesma escrita;
mesas de bares, beiras de lagos e afetos,
arquiteturas que fazem olhar os céus
onde as constelações se descortinam a não nos revelar nada;
dedos finos, longos, a se incrustar em minhas costas,
em suas doces trilhas indeléveis;
arfar que se desconhecia em noites surpresas
da magia de gozos indecifráveis;
murmúrios, sussurros, palavras ditas que teimam
em jamais se repetir, inclusão de auroras, membros dormentes, peixes olhando paredes de aquários acostumados a nada transpor,
desenhos animados, fantasias, balões pisados no fim da festa,
comemoração que nunca finda, bolos dormindo nas geladeiras para o café da manhã que não virá,
eu tremeluzo, me inflo e abundo
nesta animação tanta e inúmera que tu és.
Zé Eduardo
29/9/2007
Friday, March 04, 2011
Quase tudo
Quase todo mundo que a gente achava que existia
não existe.
Quase todas as nuvens cinzas que a gente achava que iam acabar em chuva
não acabaram.
Quase toda a luz do sol que ia secar a roupa do varal ficou por trás das mesmas nuvens.
Quase a vida toda ficou dependurada em metros de corda fina,
botada pra secar desta umidade eterna.
4/3/2011
não existe.
Quase todas as nuvens cinzas que a gente achava que iam acabar em chuva
não acabaram.
Quase toda a luz do sol que ia secar a roupa do varal ficou por trás das mesmas nuvens.
Quase a vida toda ficou dependurada em metros de corda fina,
botada pra secar desta umidade eterna.
4/3/2011
Tuesday, February 22, 2011
Poema para Cinthia
Falsa magra de olhos redondos
como as improváveis esferas estelares,
ela se aproximou de mim oferecendo flores.
Eu não comprei nenhuma.
Voz de sereia a perturbar meu sono
e me fazer rever de novo tudo que era vida.
Eu não ouvi.
Mulher de vento e múltiplos mundos,
a abrir meus olhos cansados.
E eu não vi.
Tempestade, aguaceiro, água fluindo para o mar,
redemoinhos, furacões a invadir minha pátria
como os mais naturais dos naturais desastres.
Mas isto eu sinto.
21/2/2011
como as improváveis esferas estelares,
ela se aproximou de mim oferecendo flores.
Eu não comprei nenhuma.
Voz de sereia a perturbar meu sono
e me fazer rever de novo tudo que era vida.
Eu não ouvi.
Mulher de vento e múltiplos mundos,
a abrir meus olhos cansados.
E eu não vi.
Tempestade, aguaceiro, água fluindo para o mar,
redemoinhos, furacões a invadir minha pátria
como os mais naturais dos naturais desastres.
Mas isto eu sinto.
21/2/2011
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